• Goiânia avança em tecnologia e se torna referência em controle operacional e informação ao usuário

    08/03/2016 Categoria: Esclarecimentos, Por dentro da Rede, Produtos

    Matéria publicada do site da NTU – Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos

    Ter total controle da operação de um sistema de transporte público a ponto de repassar informações precisas aos usuários em tempo real parece perfeitamente cabível em uma realidade europeia, mas nunca no Brasil. Aos poucos, no entanto, o país está apostando na inovação tecnológica para dar um salto em qualidade, eficiência e conforto no transporte por ônibus.

    A bola da vez está com Goiânia. Durante seis anos, o consórcio RMTC, que une cinco empesas de ônibus da capital goiana, implementou um projeto de gerenciamento de frota, em parceria com a Volvo Bus Latin America e a Sony Ericsson, utilizando o software ITS4Mobility. A solução já existe em cidades europeias e foi adaptada às latinas a partir do projeto piloto em Goiânia. A customização do sistema, além de atender às necessidades específicas da América Latina, garante mais agilidade no suporte aos operadores de transporte e gestores públicos.

    O sistema acompanha a circulação da frota em tempo real e indica se os ônibus estão circulando conforme o planejado, com a frequência adequada, cumprindo os horários e mantendo a rota previamente definida. A precisão das informações permite aos gestores a tomada rápida de decisões em pontos críticos da operação, permitindo seu replanejamento a qualquer momento.

    No Brasil, o monitoramento dos ônibus em centros de controle não é realizado apenas na capital goiana. Cidades como Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Fortaleza, São Paulo e Porto Alegre também trabalham com esse tipo de gestão. O diferencial de Goiânia é a precisão do tempo e do controle da operação. Com o gerenciamento em tempo real, 99% das viagens são cumpridas com 100% do índice de controle.

    Ao todo o consórcio controla 18 milhões de horários e todos são controlados ponto a ponto. É o único lugar no Brasil feito dessa forma. “Caso uma linha tenha que passar em 50 pontos, cada viagem tem um horário em cada ponto, e o controle é feito em cada um deles”, explica o diretor do consórcio, Leomar Avelino.

    Avelino aponta que, ao longo desses anos, foi possível mudar radicalmente o cenário de gestão operacional saturada que existia. “Trata-se de um projeto e, hoje, um processo de sucesso. É um instrumento de ligação do dia a dia do nosso trabalho com a satisfação dos clientes. Ele [ITS4Mobility] é um dos pilares, importantíssimo, da atuação do consórcio em relação ao serviço de transporte na região metropolitana de Goiânia”, defende.

    Os motoristas de ônibus também ganham com as ferramentas oferecidas pelo software, pois, com a coleta das informações, é possível trabalhar melhor o planejamento das operações. É o que explica Vinícius Gaensly, responsável pela área de telemática da Volvo. “O motorista senta no ônibus e já tem em uma tela o horário que ele estará passando em cada um dos pontos, então, ele já entra no veículo todo preparado e planejado. Toda a operação dele já está no veículo”, descreve.

    O vice-presidente da Indústria e Sociedade da Ericsson América Latina, Jo Arne Lindstad, é bem otimista quanto ao alcance da tecnologia. “No futuro, o sistema dentro do ônibus vai poder identificar problemas na rua, como muita água na via que torna o trajeto perigoso, por exemplo. Ele irá mandar essa informação para um sistema, e depois para um sistema mais geral, da cidade. E sucessivamente essa informação vai sendo enviada para governantes e toda a sociedade”, afirma.

    Infografico RMTC pag 17

    Serviço de Informações Metropolitanas (SIM)

    Um dos grandes benefícios do ITS4Mobility é a possibilidade de oferecer um serviço de alto nível aos usuários. Em todo o Brasil, apenas Goiânia consegue fornecer informações a todos os seus 18 municípios em tempo real. Por meio do Serviço de Informações Metropolitanas (SIM), os passageiros do transporte coletivo conseguem planejar viagens, verificar onde o seu ônibus está, conferir linhas e horários, ter a precisão do tempo de sua viagem e do horário que podem pegar o ônibus.
    O usuário tem acesso às informações por meio do site, do aplicativo para celular SiM RMTC ou de totens localizados nos 21 terminais de integração. Nessas plataformas, o passageiro pode planejar as viagens, comprar o bilhete, ver os horários, acompanhar os trajetos do ônibus, entrar em contato com o SAC e outros serviços.

    Limitações

    As grandes limitações da operação e do Centro de Controle Operacional (CCO) do Consórcio RMTC estão na falta de infraestrutura pública, avalia Leomar Avelino. Para ele, o cenário é pouco otimista para melhorar a eficiência do serviço, pois a cidade possui apenas 8 km de corredores exclusivos. “Todo o controle operacional está sujeito aos problemas do trânsito e isso limita os resultados. Se não tivesse esse investimento na tecnologia, seria o caos”, pontua.

    Pela falta de preferência nas vias e a disputa com os carros, nos últimos três anos, a fluidez dos coletivos caiu de 30,1km/h para 19,3 km/h, ou seja, o transporte coletivo em Goiânia perdeu a capacidade de produtividade em um terço. Embora o Índice de Cumprimento de Viagem (ICV) seja de 99%, ainda com toda a estrutura e investimento pelo Consórcio, o Índice de Cumprimento de Horário (ICH) é de 64%, o que comprova que se não houver investimentos em infraestrutura de cidade, os problemas permanecem os mesmos.

    Pode ser que as coisas melhorem com a promessa de construção de um sistema BRT com 22 km, mais um corredor preferencial de 10 km e a continuidade de mais dois com 13 km que estão inacabados.

    Tabela RMTC pag 18 -2