• Populismo não é remédio para o transporte público

    18/05/2017 Categoria: Artigos

    Publicado no Diário da Manhã, em 18/05/2017

    A busca de soluções para o transporte coletivo é de interesse unânime, ninguém duvida. É claro que há atores no processo (principalmente no processo político) que enfatizam os problemas e jogam pedras no sistema para ser visto como paladino do eleitorado. Muitos trazem na formação os resquícios do populismo, longe de uma política moderna ou propositiva.

    Um cenário de críticas e cobranças, mesmo que desprovido de propostas, como às vezes acontece no meio político é até compreensível. Em suas limitações, o político leva para o plenário a indignação do usuário e, de maneira natural, se eleva na tribuna em discursos inflamados diante das câmeras.

    O que não é nada compreensivo é quando além deste papel simplório de derramar críticas, autoridades que deveriam responder pelo próprio sistema se protegem da própria desinformação com discursos igualmente inflamados – quando não incendiários. Nesse ambiente de orfandade do transporte público, a atual politização do tema revela fragilidade política e administrativa de gestores que tentam apontar culpados como forma de se eximir do problema.

    A história revelará a seriedade destes equívocos. A avidez por se abraçar ao problema como forma de fazer política penaliza a mesma platéia onde se busca aplauso com o sucateamento do próprio meio de transporte. Não é saudável que autoridades do transporte façam proselitismo enganoso para adiar o momento de enfrentar o problema.

    A Região Metropolitana de Goiânia tem a única rede de transportes metropolitanos que funciona realmente integrada no país, mas autoridades desvairadas trabalham para desmontar o sistema, numa experimentação perigosa que coloca em risco o cotidiano das pessoas e o funcionamento das cidades.

    Também somos o único lugar onde os municípios não se sentem obrigados a bancar a gestão dos terminais ou pontos de parada, muito menos a custear as gratuidades criadas pelo próprio poder público. Tudo vai para a conta do usuário pagante. Ao contrário de assumir obrigações próprias da gestão pública, alguns de seus atores lançam propostas mirabolantes, em busca de simpatia pública, mesmo cientes de que nunca poderão realizá-las. Vão a público, por exemplo, com utopias como ônibus climatizados sem contar para o público que a única fonte de custeio seria o bolso do próprio usuário.

    Nesse ambiente amador, no entanto, justiça seja feita: há políticos mais comprometidos que – não à toa, detêm credibilidade e assumem seu papel. A postura responsável do prefeito de Goiânia – em relação à obrigação contratual com as concessionárias, deveria ser regra mas atualmente é ponto fora da curva de executivos públicos que se comportam como ativistas descomprometidos. Outro exemplo louvável foi esta solução anunciada pelo Governador do Estado, assumindo na integralidade o Passe Livre Estudantil e adiando a discussão sobre reajuste tarifário. A medida traz muito mais que um alento para o usuário. É exemplo de comprometimento que deve ser seguido por todos os responsáveis pela concessão pública.

    De fato, não existe no mundo um transporte de qualidade financiado exclusivamente pela tarifa cobrada do passageiro. A sociedade – via governo ou não, terá que assumir parte do problema se quiser ter um sistema que viabilize a vida de todos e não somente de quem anda de ônibus.

    O sistema de Transportes Públicos Metropolitano de Goiânia não é o único a enfrentar problemas, mas temos mais chances de superá-los como região pioneira que sempre fomos. É uma tarefa de todos construir um modelo que volte a ser eficiente e sustentável, o suficiente para sobreviver àqueles que se permitem tirar proveito do problema por mero despreparo para apresentar a solução.

    Com a reversão da discussão, onde aumento de tarifa fica a critério das melhorias, vamos ver agora do que o conjunto de autoridades é capaz. Quando discutimos este assunto, os cooperados da Cootego, que somos os próprios motoristas dos ônibus que operam o sistema, sempre torcemos para que, em meio a tantos que se ocupam de jogar pedras, apareçam uns mais lúcidos, compromissados e capazes de construir, em parceria, o caminho que procuramos.

    Rilvadar Gonçalves
    Diretor presidente da COOTEGO
    (Cooperativa de Transporte do Estado de Goiás)

  • Sustentabilidade, mobilidade e sensatez

    04/01/2016 Categoria: Artigos

    Artigo veiculado no site da NTU – Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos

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    É consenso: sustentabilidade é tema prioritário! O homo sapiens surgiu há mais de 100 mil anos e nos últimos 50 anos está conseguindo esgotar o planeta em busca de hábitos levianos de consumo e ocupação da terra. A maioria dos países buscam padrões de vida americanos sem se preocupar com o fato de que, se este objetivo de consumo for atingido, o planeta sucumbe.

    A concentração nas áreas urbanas possibilita grandes avanços pela organização social e sinergia produtiva dos cidadãos, ao mesmo tempo que desafia urbanistas a encontrar propostas de cidades viáveis a longo prazo com nossa escassa capacidade de investimento.

    Precisamos rever costumes, realizar a cada dia mais de nossas atividades com menos recursos e menos poluição. O compartilhamento é uma das chaves dessa eficiência!

    A mobilidade é essencial às cidades. Circular é a garantia de que tudo aconteça. Trabalho, estudo, lazer, comércio, etc, e o transporte coletivo é uma maneira compartilhada e sustentável de se locomover. Além de substituir muitos automóveis, 35 ônibus com tecnologia atual poluem o mesmo que 1 único ônibus do início dos anos 90!

    Imagine duas quadras entupidas com 100 automóveis quase parados e emitindo poluição! Agora substitua por 2 ônibus: pista livre e fluida, muito menos poluição, espaço para circularem outros veículos automotores indispensáveis e para ciclofaixas e pedestres circularem com segurança. Imagem de uma cidade mais moderna, justa e sustentável!

    Mobilidade é um conceito fundado no cidadão, não no veículo. Segundo a Lei Federal da Mobilidade (12.587, 3/1/12), a prioridade é do não motorizado e do coletivo em relação ao individual. Pela sustentabilidade e justiça cidadã, minha visão particular é que toda ação coletiva é prioritária!

    Passaremos por ajustes duros, com mudança de hábitos e revisão de conceitos. Muitas das realidades inevitáveis contrariam nossos velhos hábitos e muitos choques ocorrerão. Enquanto a gente se adapta, bom senso é imprescindível! Precisaremos ceder em alguns desejos e hábitos incompatíveis com essa nova era e alguns precisarão se engajar na defesa das mudanças, mas sempre com razoabilidade e tolerância. Guerrear ou dividir a população em dois polos adversários não ajuda, pois todos precisamos das mesmas soluções e só com harmonia chegaremos a elas.

    Dimas Barreira – Presidente do Sindiônibus

    http://www.ntu.org.br/novo/NoticiaCompleta.aspx?idArea=10&idSegundoNivel=106&idNoticia=580

     

  • Semana de Prevenção incentivou cuidados com a saúde

    26/10/2015 Categoria: Artigos

     

     

    SIPAT

    Em parceria com as consorciadas, o Consórcio RMTC promoveu a Semana de Prevenção de Acidentes de Trabalho nos terminais da região metropolitana de Goiânia

    Na semana passada, do dia 19 a 23 de outubro, aconteceu a 7ª Semana Interna de Prevenção de Acidentes de Trabalho (Sipat) da Região Metropolitana do Transporte Coletivo de Goiânia. Participaram do evento, o Consórcio RMTC e as consorciadas Rápido Araguaia, HP, Reunidas e Cootego, e na oportunidade foram oferecidas aos colaboradores orientações de cuidados com a saúde.

    Entre os serviços prestados estão: exames de glicemia, aferição da pressão arterial, massagem e corte de cabelo. Em caso de necessidade, os participantes foram orientados a procurar um profissional especializado. Antonio Almeida, do Consórcio RMTC, destaca a importância da Sipat para o funcionário, pois, de acordo com ele, os serviços oferecidos fazem diferença para o colaborador e o estimula a cuidar da saúde, o que vai ao encontro do propósito do evento.

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    De acordo com Wecy Caetano, técnica de segurança do trabalho da Rápido Araguaia, esse também foi um momento de maior interação e proximidade que as empresas têm com seus funcionários, já que a maioria trabalha fora da sede das empresas. “É mais uma oportunidade que eles têm de fazer reclamações ou dar sugestões”, diz. Para a Reunidas, além dos cuidados com a saúde e do contato com fisioterapeutas, o evento é importante uma vez que aproxima a empresa dos funcionários, reforçou Alba Valéria Fernandes dos Reis, técnica de segurança do trabalho da consorciada.

    A Cootego enfatiza que o intuito do evento é mostrar o valor do funcionário para a empresa. De acordo com o técnico de segurança do trabalho, Denismar Lacerda “existe um elo entre empresa e colaborador, um depende do outro, e é importante que eles cuidem da saúde”. Grace Cury, técnica da HP, ressalta a importância de o colaborador fazer pequenas pausas para se alongar: “Divulgamos um material informativo com alguns alongamentos para que eles possam se cuidar”. Ela também acrescenta que os cuidados pessoais são relevantes, pois eles são o contato da empresa com o cliente.

  • A realidade do transporte público

    03/06/2013 Categoria: Artigos

    O setor de transportes públicos em Goiânia vive, paradoxalmente, um momento de salutar convergência institucional que não pode ser desperdiçado por discordâncias pontuais ou momentâneas. A sólida construção de uma visão metropolitana para o setor fez de nossa capital uma referência nacional  para a gestão dos transportes e abriu caminho para a solidificação de um modelo de eficiência que interessa a todos, principalmente aos usuários. Há rara compreensão, esforço e iniciativas concretas para a melhoria da mobilidade nas três esferas do poder público, em sintonia com o setor privado e a sociedade. É um momento importante.

  • Artigo de Opinião: Sobre o corredor da T-63

    16/05/2013 Categoria: Artigos

    Toda vez que é vetado o parar e estacionar em uma avenida de Goiânia, a grita é geral. “O comércio da via quebrará”. “Os clientes não têm onde estacionar”. “A prefeitura não discutiu o assunto antes”. Já sou velho o suficiente para que outros casos saltem em minha memória tal qual sapos no brejo. As histórias da 85, T-7 e T-9 estão aí para não me deixar mentir. Só muda o local dentro de nossa cidade, mas o papo é sempre o mesmo.

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